sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

(The Code 831)



Era para ser uma daquelas histórias tipo "e foram felizes para sempre"
ou "amaram-se até ao último dos seus dias". Mas não foi. Acontece.
Não. Não se deixaram de amar. Foi pior.
Ela matou o amor.
Foi um escândalo. Quem diria?!
.
Por vezes temos de matar o amor. É o nosso instinto de sobrevivência.
É o amor ou nós.
Foi levada a tribunal e de imediato absolvida. Pura legítima defesa.
Claro que teve de provar como esse amor a estava a envenenar, lenta e suavemente. Como a atacava de surpresa. Ela tinha a certeza de que ele possuia um qualquer mecanismo capaz de lhe controlar o pensamento, não a deixando pensar em absolutamente mais nada. Não lhe saciava a fome nem a sede que tinha dele, como numa tortura.
.
Foi num fim de dia. Conseguiu por breves instantes olhar à sua volta e ver. E viu o que lhe estava a acontecer. Como num filme de suspense, pegou na primeira coisa com que se deparou e matou-o. De um só golpe. E fugiu sem olhar para trás, refugiando-se na protecção dos amigos. No dia seguinte entregou-se.
.
Nunca descobriram a arma do crime.
Ela guardou-a de forma preciosa dentro dela. O seu amor próprio.


by Morgana 16.11.2007

4 comentários:

Alberto Campos disse...

Finalmente, a espaços retornam as palavras...belas, frias, lucidas, entranhamente lucidas.

Não entendo como o amor legitima a legitima defesa contra si mesmo.

Sobreviver sem amor é isso mesmo...sobreviver! E aos campos faz falta os gritos de vida que advem da propria essencia do amor.

Ele lia-te os pensamentos, não te deixava respirar...hummm acaso estavas tu apaixonada? e com medo patologico dessa paixão?

Deita fora a arma do crime...pois há armas que se viram contra nós...matando-nos lentamente...

MalucaResponsavel disse...

Li isto num rompante. genial. bj

MJB disse...

Também as histórias se vêm ao espelho

LPM disse...

"Não existe encontro porque a grande verdade é que nunca houve separação. Os nossos sonhos abrigam-se na eternidade das nossas vidas e acariciam o nosso rosto, o nosso coração, a nossa alma, com uma doçura que por vezes nos arranca lágrimas. E quando elas caem existe sempre um vento que sopra nos nossos lábios dizendo-nos para não desistir, para lutarmos por aquilo em que acreditamos, para não nos satisfazermos, não nos acomodarmos e não nos enganarmos. Para sermos felizes e não nos contentarmos com menos.
Não existem pontos finais. O tempo e a distância são demasiado pequenos quando o amor sopra em qualquer tom ou nota. Não existem datas para comemorar porque tudo se reveste de recomeços. Não existe nascer ou morrer através dos tempos, e nós não somos mais do que companheiros de jornadas demasiado maravilhosas para nos enganarmos, para nos trairmos, ou mesmo para entendermos o que as coisas na realidade são, para entendermos a maior aventura de todo o nosso sempre. E sabemos que não é o facto de não a conhecermos que impede a verdade de ser verdadeira.